top of page
Alterações da tireoide em crianças: sinais

Alterações da tireoide em crianças: sinais

marquezjoice
1 de out.
5 min de leitura

Quando uma criança passa a crescer menos do que o esperado, fica muito cansada sem uma causa clara ou apresenta aumento no pescoço, é comum que a tireoide entre na conversa. As alterações da tireoide podem afetar energia, crescimento, peso, desempenho escolar e puberdade, mas os sinais nem sempre são evidentes. Em crianças e adolescentes, a interpretação precisa considerar a fase de desenvolvimento, o histórico familiar e a curva de crescimento individual.

A tireoide é uma pequena glândula localizada na parte anterior do pescoço. Ela produz hormônios que participam do funcionamento de praticamente todo o organismo, incluindo metabolismo, ritmo cardíaco, temperatura corporal, funcionamento intestinal e maturação do sistema nervoso. Na infância, seu papel no crescimento e no desenvolvimento é especialmente relevante.

Quais alterações da tireoide podem ocorrer na infância?

As disfunções mais conhecidas são o hipotireoidismo, quando há produção insuficiente de hormônios tireoidianos, e o hipertireoidismo, quando há produção em excesso. Também podem existir aumento da glândula, chamado bócio, nódulos e alterações inflamatórias ou autoimunes.

O hipotireoidismo congênito é identificado, na maioria dos casos, pela triagem neonatal, o teste do pezinho. Esse diagnóstico precoce é fundamental porque os hormônios tireoidianos são necessários para o desenvolvimento cerebral nos primeiros meses de vida. Quando confirmado, o tratamento deve começar rapidamente e requer acompanhamento regular.

Já o hipotireoidismo adquirido pode aparecer mais tarde, sobretudo na idade escolar e na adolescência. Uma causa frequente é a tireoidite de Hashimoto, condição autoimune em que o sistema imunológico passa a agir contra a própria tireoide. Ter familiares com doenças da tireoide, diabetes mellitus tipo 1, doença celíaca ou outras condições autoimunes pode aumentar a atenção clínica, mas não determina, por si só, que a criança terá o problema.

O hipertireoidismo é menos comum na infância. A doença de Graves é uma de suas causas e pode provocar aceleração do metabolismo e impacto importante no bem-estar do adolescente. Há ainda situações em que a glândula aumenta de tamanho ou apresenta nódulos. Embora nódulos tireoidianos sejam menos frequentes em crianças do que em adultos, eles merecem avaliação médica estruturada.

Sinais de alterações da tireoide que merecem atenção

Os sintomas isolados raramente confirmam uma doença da tireoide. Cansaço, mudança de peso, queda de cabelo e dificuldade de concentração, por exemplo, podem ter diversas causas. Ainda assim, alguns padrões devem ser levados à consulta, especialmente quando persistem ou se combinam.

No hipotireoidismo, podem ocorrer desaceleração do crescimento, ganho de peso desproporcional ao crescimento em altura, constipação, pele mais seca, sonolência, maior sensibilidade ao frio, queda no rendimento escolar e atraso puberal. Em crianças pequenas, também podem ser observados apetite reduzido, intestino preso e menor disposição para brincar.

Um ponto que costuma gerar dúvida é o peso. O hipotireoidismo pode contribuir para ganho ponderal, mas nem toda criança com obesidade tem alteração tireoidiana. Na maior parte dos casos de obesidade infantil, a tireoide não é a causa principal. Por isso, solicitar exames sem avaliação clínica pode levar a interpretações equivocadas e atrasar o cuidado necessário com alimentação, sono, rotina, saúde emocional e atividade física.

No hipertireoidismo, é possível observar palpitações, tremores, suor excessivo, irritabilidade, dificuldade para dormir, sensação de calor, evacuações mais frequentes e perda de peso ou dificuldade de ganhar peso, mesmo com aumento do apetite. Alguns adolescentes apresentam ansiedade acentuada ou queda de desempenho escolar. Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente a uma fase emocional ou à puberdade sem uma avaliação cuidadosa.

O aumento visível no pescoço, desconforto para engolir, rouquidão persistente ou sensação de pressão na região também precisam ser examinados. Procure atendimento mais prontamente se houver dificuldade para respirar ou engolir, batimentos cardíacos muito acelerados, desmaios ou piora importante do estado geral.

Crescimento e puberdade ajudam a contar a história

Em endocrinologia pediátrica, altura e velocidade de crescimento são dados clínicos valiosos. Uma criança pode permanecer em uma faixa de estatura mais baixa por característica familiar e estar saudável. O alerta surge quando ela deixa de acompanhar a própria curva ao longo do tempo, principalmente se houver sintomas associados.

A puberdade também merece observação. O hipotireoidismo não tratado pode interferir no amadurecimento corporal, enquanto outras alterações hormonais podem coexistir e exigir investigação. Avaliar uma criança não é apenas olhar um exame: é reunir medidas de peso e altura, estágios de puberdade, rotina, antecedentes e evolução dos sintomas.

Como é feita a investigação das alterações da tireoide?

A consulta começa com uma conversa detalhada com a família e com a criança ou o adolescente. São avaliados sintomas, medicamentos em uso, alimentação, histórico de doenças, antecedentes familiares e dados de crescimento. O exame físico inclui a palpação da tireoide e a observação de sinais que possam sugerir excesso ou falta de hormônios.

Os exames de sangue mais utilizados incluem TSH e T4 livre. O TSH é produzido pela hipófise e funciona como um sinal para a tireoide trabalhar. Sua interpretação depende da idade, do T4 livre e do contexto clínico. Em algumas situações, anticorpos tireoidianos ajudam a investigar uma causa autoimune.

Ultrassonografia de tireoide pode ser indicada quando há aumento da glândula, nódulo ou alteração encontrada no exame físico. Ela não é um exame de rotina para toda criança com cansaço ou ganho de peso. Quando solicitada de forma adequada, permite avaliar a estrutura da glândula e orientar os próximos passos.

Também é preciso cautela com resultados discretamente alterados. Infecções recentes, uso de alguns medicamentos, doenças agudas e até diferenças entre laboratórios podem interferir nos exames. Repetir a coleta ou acompanhar a evolução pode ser mais seguro do que iniciar tratamento com base em um único resultado fora da faixa de referência.

Tratamento e acompanhamento: por que a regularidade importa

O tratamento depende do diagnóstico. No hipotireoidismo, a reposição com levotiroxina costuma ser eficaz e segura quando prescrita na dose individualizada. A dose não deve ser ajustada por conta própria, nem comparada à de outra criança. Ela varia conforme idade, peso, fase de crescimento, causa da disfunção e resultados laboratoriais.

A regularidade do uso faz diferença. Esquecer doses com frequência, tomar o medicamento de modo inadequado ou interrompê-lo porque a criança parece bem pode comprometer o controle. A família deve receber orientação específica sobre horários, interação com alimentos e suplementos, além de saber quando repetir os exames.

No hipertireoidismo, o tratamento pode envolver medicamentos para reduzir a produção hormonal e acompanhamento próximo. A estratégia varia conforme a causa, intensidade dos sintomas, idade e resposta ao tratamento. Em qualquer cenário, o objetivo é normalizar os hormônios, proteger o crescimento e reduzir impactos no coração, nos ossos, no humor e na rotina escolar.

Evite oferecer iodo, compostos “naturais” ou suplementos voltados à tireoide sem indicação médica. Excesso de iodo também pode desregular o funcionamento da glândula. Uma alimentação variada é desejável, mas não substitui avaliação e tratamento quando há uma disfunção confirmada.

Quando procurar endocrinologista pediátrica?

A avaliação especializada é indicada diante de alteração persistente nos exames, bócio, nódulos, suspeita de doença autoimune, sintomas compatíveis com hipo ou hipertireoidismo, desaceleração do crescimento ou alterações puberais associadas. Crianças e adolescentes com diagnóstico já estabelecido também se beneficiam de acompanhamento periódico, pois suas necessidades mudam durante o desenvolvimento.

Para as famílias, o ponto central é não ignorar mudanças sustentadas e, ao mesmo tempo, não assumir um diagnóstico apenas pelos sintomas ou por um exame isolado. Observar o desenvolvimento da criança com atenção e buscar uma avaliação individualizada permite cuidar da tireoide no momento certo, com segurança e sem perder de vista a criança por inteiro.

 
 
 

Comentários


​

São Paulo, Vila Olímpia e Granja Viana

(11) 9 9632-8878

  • Branca ícone do YouTube
  • Branca Ícone Instagram
bottom of page